terça-feira, 1 de abril de 2008

O mito do super-crente - Continuação

Às vezes paro para contemplar a minha miserabilidade e quando noto as minhas imperfeições chego a me sentir o pior dos homens.
Todavia, a história dos heróis da Fé é repleta de deslizes, talvez registrados na Bíblia para o nosso consolo, para nos mostrar que não somos diferentes deles em nossa natureza pecaminosa.
A vida de Moisés é um exemplo sob vários prismas. No entanto, em vez de falar à rocha como Deus havia ordenado, em Meribá, ele a feriu duas vezes com o seu cajado e por esta desobediência não pôde colocar os pés na terra prometida.
Davi, por sua vez, ao vislumbrar a beleza de Bate-Seba enquanto esta tomava banho, adulterou e foi o autor mediato da morte de Urias, seu esposo.
O apóstolo Pedro primeiro tentou convencer Jesus a não morrer, depois o negou por três vezes, dizendo que não o conhecia.
Já Tomé duvidou que Jesus havia ressuscitado, mesmo ouvindo os relatos de seus companheiros e tendo presenciado vários milagres realizados por Cristo. Judas traiu ao Senhor, vendendo-o por algumas moedas de prata.
Todos os homens citados, à exceção de Judas, arrependeram-se e deram uma guinada em suas vidas. A consciência de sua falibilidade cedeu lugar ao poder transformador do Espírito Santo, que não está em nós, mas nas misericórdias do Senhor.
No verso 18, do capítulo 9, do livro de Daniel, observamos essa realidade: “Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias”.
A palavra misericórdia significa, etimologicamente, “aquele que carrega o miserável no coração” (míseros + cardia).
É por esta razão que somos salvos pela graça de Deus, conforme lemos em Efésios 2.4: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela GRAÇA sois salvos”. (verso 8). A graça, conforme dito em outras linhas, é o favor imerecido que recebemos de Deus. Foi o favor recebido pelo seu povo ontem, é o favor que recebemos hoje Dele.
Por fim, no verso 19, lemos a súplica ardorosa de Daniel pelo agir de Deus, confiando tão somente na fidelidade do Senhor criador dos céus e da terra, nos ensinando como devemos orar, não fundado em nossos próprios méritos, mas nas misericórdias do Senhor.

Nenhum comentário: