quinta-feira, 10 de abril de 2008

Evangelho do consumo

Uma das notas mais marcantes da época atual é, sem dúvida, o consumismo. Este, no entanto, não ficou do lado de fora da igreja, mas penetrou e consegue influenciá-la de várias maneiras.
Uma das evidências de como o consumismo tem influenciado a igreja é a forma com que se tem enxergado a oração. A conversa com Deus serve basicamente para fazer pedidos e o céu funciona como uma espécie de supermercado espiritual. Tornou-se muito comum a técnica de se exigir coisas de Deus, de "determinar a benção", etc.
Agora, veja: já pensou se falássemos com nossos amigos apenas quando precisássemos de alguma coisa? Seria, com certeza, um relacionamento bastante superficial, pra não dizer interesseiro...
Outra coisa. O evangelho começou a ser apresentado como um produto e, como tal, deve garantir a satisfação do cliente. Por isso, tornou-se bastante conhecida a frase "pare de sofrer", como se fosse verdade que as pessoas, após a conversão, tornam-se imunes às agruras da vida terrena. Esta mensagem é bastante atraente. Para os mais incautos, com certeza.
Um bom produto deve também adaptar-se às mudanças do gosto do freguês, por esse motivo, então, o evangelho teve que passar por algumas remodelações a fim de parecer mais, digamos, comerciável. Hoje, tem-se denominação pra todo gosto. O evangelho ficou "politicamente correto", e se adapta facilmente às circunstâncias deste século (e Paulo continua falando "não vos conformeis com este século...").
Enfim, o cristianismo atual é resultado de muitos processos históricos, que acabaram minando sua mensagem inicial. O consumismo é só mais um deles.

3 comentários:

james disse...

A Paz do Senhor, irmão Anderson.

Realmente, define bem que o cristianismo atual minou a mensagem de Cristo Jesus, e, isto se dá ao fato de muitos dos que estão à frente das igrejas tornarem-se “líderes” almofadinhas, cheios de títulos, achando que são os donos da igreja, mercenários, amantes de si mesmos, que estão à frente de discursos inflamados em cima de seus púlpitos particulares e a meia dúzia de sábios evangélicos, vivendo o seu exibicionismo acadêmico excêntrico, onde estes, procuram sabedoria/conhecimento colocando de lado o verdadeiro entendimento da Vontade de Deus, por assim dizer “o entendimento para aqueles que o possuem, é uma fonte de vida, mas a instrução dos tolos é a sua estultícia.” (Provérbios 16.22), e estes exibicionistas defendem com unhas e dentes a tão falada Teologia, que nada mais é do que o estudo da Palavra de Deus, mais precisamente a 'letra'. Por isso, o céu passar a ser uma espécie de supermercado espiritual.

James
www.jesusmaioramor.blogspot.com

Anderson disse...

A Paz, James. É sempre prazeroso ver aqui um comentário seu, que, a propósito, são sempre bastante salutares.
Infelizmente, a igreja tornou-se uma instituição e, nesse ponto, não consegue se diferir muito das outras religiões. Precisamos resgatar o cristianismo como estilo de vida.

Jáder disse...

Para uma pessoa empregada, saudável, com família organizada, rodeada de amigos, enfim, feliz, ficaria sem mensagem em algumas Igrejas por aí...
Para ela, parece que não falta nada em sua vida completamente "arrumada"...
Mas ser Cristão transcende a passageira felicidade terrena...
Deus nos abençoe!