
Uma das evidências de como o consumismo tem influenciado a igreja é a forma com que se tem enxergado a oração. A conversa com Deus serve basicamente para fazer pedidos e o céu funciona como uma espécie de supermercado espiritual. Tornou-se muito comum a técnica de se exigir coisas de Deus, de "determinar a benção", etc.
Agora, veja: já pensou se falássemos com nossos amigos apenas quando precisássemos de alguma coisa? Seria, com certeza, um relacionamento bastante superficial, pra não dizer interesseiro...
Outra coisa, o evangelho começou a ser apresentado como um produto e, como tal, deve garantir a satisfação do cliente. Por isso, tornou-se bastante conhecida a frase "pare de sofrer", como se fosse verdade que as pessoas, após a conversão, tornam-se imunes às agruras da vida terrena. Esta mensagem é bastante atraente. Para os mais incautos, com certeza.
Um bom produto deve também adaptar-se às mudanças do gosto do freguês, por esse motivo, então, o evangelho teve que passar por algumas remodelações a fim de parecer mais, digamos, comerciável. Hoje, tem-se denominação pra todo gosto. O evangelho ficou "politicamente correto", e se adapta facilmente às circunstâncias deste século (e Paulo continua falando "não vos conformeis com este século...").
Enfim, o cristianismo atual é resultado de muitos processos históricos, que acabaram minando sua mensagem inicial. O consumismo é só mais um deles.