quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sola Gratia Recomenda: Uma Breve História do Mundo e a Morte de Ivan Ilitch

Quem acompanha o Sola Gratia sabe que costumo recomendar de vez em quando um livro, filme ou disco. Até hoje apenas postei recomendações de obras que tenham ligação direta com a fé cristã, mas vi que isso é um grande bobagem. Por dois motivos: primeiro, porque o cristão deve ler, assistir e ouvir coisas de autoria secular como parte de seu enriquecimento cultural e crescimento pessoal. Segundo, porque muitas obras de autoria não-cristã tem muito a ensinar sobre nossa fé. E pra começar esta mudança de linha, quero recomendar dois livros seculares muito bons que li neste ano.


Breve História do Mundo, de Geofrey Blainey é um livro fabuloso. Conta a história universal de forma criteriosa e elegante desde os primórdios da humanidade até os dias atuais. É um convite a visualizar em nossa mente como era a vida em cada civilização antiga e como se deu cada fato histórico. É, na verdade, um livro de história geral, porém sem os formalismos com que estamos acostumados e com uma escrita muito agradável. Em resumo: uma viagem fantástica.


Trata-se de um clássico da literatura universal. A história inicia mostrando a forma fria e interesseira com que os colegas de Ivan Ilitch recebem a notícia de sua morte. Depois de narrar o funeral e como, mesmo naquele momento, a esposa estava mais preocupada com a pensão que ia receber, o autor nos faz voltar no tempo e conhecer mais a vida do protagonista. Ivan Ilitch era um burocrata do governo e pensava somente em ascender socialmente. Casou-se pensando unicamente na conveniência. Depois de mudar-se para uma outra cidade para ganhar mais dinheiro foi acometido de uma doença que o levou ao leito. Ali ele sente a indiferença com que todos, inclusive sua família, lidam com sua dor e seu fim iminente. Em toda a sua angústia, Ivan Ilitch percebe que viveu uma vida sem sentido e conclui que, quando as pessoas à sua volta pensavam que ele estava "subindo", na verdade, ele estava "descendo". Sente que os momentos mais importantes de sua vida foram justamente aqueles que mais pareceram insignificantes quando ele os viveu. O livro é como um chamado à realidade da efemeridade da vida e um convite para viver as coisas que são realmente importantes.