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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

O que é Unção?


Para alguns, unção é um arrepio. Para outros é euforia, movimento, pula-pula. Há quem diga que unção é uma experiência mística de contato direto com o mundo sobrenatural.
Todavia, não é isso que a Escritura parece ensinar. Unção é a capacitação que o Espírito Santo dá a um servo para realizar determinada função no Corpo.
Para entendermos melhor, é só lembrarmos das figuras do Antigo Testamento que, para exercer seu ofício, tinham de ser ungidas. Estamos falando do rei, do sacerdote e do profeta. Quando uma pessoa era chamada para exercer um desses ofícios era necessário que passasse por uma cerimônia de unção com óleo.
Como sabemos, o óleo é um tipo do Espírito Santo na Bíblia. É Ele quem nos capacita para realizarmos nosso ministério no Reino.
Desse modo, vê-se que unção não é o que se sente em algum momento de euforia ou de intimidade com Deus. Da mesma forma, não estão de acordo com a Palavra os modismos que de vez em quando surgem, com os nomes de "unção disso" ou "unção daquilo".

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Colapso do Movimento Evangélico (texto de Ricardo Gondim)

Dois pastores paulistas se fantasiam de Fred e Barney. Isso mesmo, fantasiados de Flintstone, entre gracejos ridículos, acreditam que estão sendo "usados por Deus para salvar almas". Na rádio, um apóstolo ordena que tragam todos os defuntos daquele dia, pois ele sente que Deus o "ungiu para ressuscitar mortos".

Os jornais denunciam dois políticos de Minas Gerais, "eleitos por suas denominações para representar os interesses dos crentes", como suspeitos de assassinato. O rosário se alonga: oração para abençoar dinheiro de corrupção; prisão nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro, flagrante de missionários por tráfico de armas; conivência de pastores cariocas com chefões da cocaína .

Fica claro para qualquer leigo: O movimento Evangélico brasileiro se esboroa. O processo de falência, agudo, causa vexame. Alguns já nem identificam os evangélicos como protestantes. As pilastras que alicerçaram o protestantismo vêm sendo sistematicamente abaladas pelo segmento conhecido como neopentecostal. Como um trator de esteiras, o neopentecostalismo cresce passa por cima da história, descarta tradições e liturgias e se reinventa dentro das lógicas do mercado. É um novo fenômeno religioso.

É possível, sim, separá-lo como uma nova tendência. Sobram razões para afirmar-se que o neopentecostalismo deixou de ser protestante ou até mesmo evangélico.É uma nova religião. Uma religião simplória na resposta aos problemas nacionais, supersticiosa na prática espiritual, obscurantista na concepção de mundo, imediatista nas promessas irreais e guetoizada em seu diálogo cultural.

Mas a influência do neopentecostalismo já transbordou para o "mainstream" prostestante. O neopentecostalismo fermentou as igrejas consideradas históricas. Elas também se vêem obrigadas a explicar quase dominicalmente se aderiram ou não aos conceito mágicos das preces. Recentemente, uma igreja batista tradicional promoveu uma "Maratona de Oração pela Salvação de Filhos Desviados".

Pentecostais clássicos, como a Assembléia de Deus, estão tão saturados pela teologia neopentecostal que pastores, inadvertidamente, repetem jargões e prometem que a vida de um verdadeiro crente fica protegida dentro de engrenagens de causa-e-efeito. Os "ungidos" afirmam que sabem fazer "fluir as bênçãos de Deus". É comum ouvir de pregadores pentecostais que vão ensinar a "oração que move o braço de Deus”.

O Movimento Evangélico implode. Sua implosão é visceral. Distanciou-se de dois alicerces cristãos básicos, graça e fé. Ao afastar-se destes dois alicerces fundamentais do cristianismo, permitiu que se abrisse essa fenda histórica com a tradição apostólica.

1. A teologia da Graça

Desde a Reforma, protestantes e católicos passaram a trabalhar a Graça como pedra de arranque de um novo cristianismo. O texto bíblico, “o justo viverá da fé”, acendeu o rastilho de pólvora que alterou a cosmovisão herdada da Idade Média. A Graça impulsionou o cristianismo para tempos mais leves. Foi a Graça que acabou com a lógica retributiva que mostrava Deus como um bedel a exigir penitência. Devido a Graça entendeu-se que a sua ira não precisa ser contida. O cristianismo medieval fora infectado por um paganismo pessimista e, por isso, sobravam espertalhões vendendo relíquias e objetos milagrosos que, segundo a pregação, “ garantiam salvação e abriam as janelas da bênção celestial”.

Lutero, um monge agostiniano, portanto católico, percebeu que o amor de Deus não podia ser provocado por rito, prece, pagamento ou penitência. Graça, para Lutero, significava a iniciativa de Deus, constante, unilateral e gratuita, de permanecer simpático com a humanidade. Lutero intuiu que Deus não permanecia de braços cruzados, cenho franzido, à espera de que homens e mulheres o motivassem a amar. O monge escancarou: as indulgências eram um embuste. Assim, Lutero solapava o poder da igreja que se autoproclamava gerente dos favores divinos.

Passados tantos séculos, o movimento neopentecostal, responsável pelas maiores fatias de crescimento entre evangélicos, abandonou a pregação da Graça. (É preciso ressaltar, de passagem, que o conceito da Graça pode até constar em compêndios teológicos, mas não significa quase nada no dia-a-dia dos sujeitos religiosos).

Os neopentecostais retrocederam ao catolicismo medieval. É pre-moderna a religiosidade que estimula valer-se de amuletos “como ponto de contato para a fé”; fazerem-se votos financeiros para “abrir as portras do céu”; “pagar o preço” para alcançar as promessas de Deus. Desse modo, a magia espiritual da Idade Média se disfarçou de piedade. A prática da maioria dos crentes hoje se concentra em aprender a controlar o mundo sobrenatural. Qual o objetivo? Alcançar prosperidade ou resolver problemas existenciais.

2. A compreensão da Fé

“A Piedade Pervertida” (Grapho Editores) de Ricardo Quadros Gouvêa é um trabalho primoroso que explica a influência do fundamentalismo entre evangélicos.

“O louvorzão, assim como as vigílias e as reuniões de oração, e até mesmo o mais simples culto de domingo, muitas vezes não passam de um tipo de superstição que beira a feitiçaria, uma vez que ele é realizado com o intuito de ‘forçar’ uma ação benévola da parte de Deus, como se o culto e o louvor fossem um ‘sacrifício’, como os antigos sacrifícios pagãos. Neste caso, não temos mais liturgias, mas sim teurgias, nas quais procura-se manipular o poder de Deus” (p.28).

Ora, enquanto fé permanecer como uma “alavanca que move os céus”, as liturgias continuarão centradas na capacidade de tornar a oração mais eficaz. Antes dos neopentecostais, o Movimento Evangélico já se distanciara dos Místicos históricos que praticavam a oração com um exercício de contemplação e não como ferramenta de como tornar Deus mais útil.

Fé não é uma força que se projeta na direção do Eterno. Fé não desata os nós que impedem bênçãos. Fé é coragem de enfrentar a vida sem qualquer favor especial. Fé é confiança de que os valores de Cristo são suficientes no enfrentamento das contingências existenciais. Fé aposta no seguimento de Cristo; seguir a Cristo é um projeto de vida fascinante.

O neopentecostalismo ganhou visibilidade midiática, alastrou-se nas camadas populares e se tornou um movimento de massa. Por mais que os evangélicos conservadores não admitam, o neopentecostalismo passou a ser matriz de uma nova maneira de conceber as relações com o Divino.

A alternativa para o rolo compressor do neopentecostalismo só acontecerá quando houver coragem de romper com dogmatismos e com os anseios de resolver os problemas da vida pela magia.

O caminho parece longo, mas uma tênue luz já desponta no horizonte, e isso é animador.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pérolas Pentecostais 2

Crente pentecostal tem cada uma...

Outro dia ouvi uma missionária, daquelas chamadas “canela-de-fogo” (só quem já foi a uma igreja pentecostal entende essa expressão...), dizer o seguinte impropério: “Deus não dá nada de graça a ninguém!”.

Quis ela dizer que Deus só dá algo mediante uma contraprestação imediata. Ou seja: toma lá, dá cá. Para ela, as bênçãos que os crentes recebem dependem absolutamente de seu esforço próprio. Tal assertiva ignora que a Bíblia diz que a maior das bênçãos, a salvação, é de graça (Efésios 2:8).

Algumas pérolas, como essa, resultam de uma assustadora ignorância bíblica, outras nascem em nosso meio e começam a ser repetidas irrefletidamente como verdadeiros dogmas.

Assim, é possível imaginar o seguinte diálogo quase fictício (o “quase” deve-se ao fato de que eu participei de uma conversa muito parecida com essa):

- “Irmão, Deus te incomoda para orar nas madrugadas?” Pergunta a irmã Joquebede.

- “Não... Deus não costuma me incomodar. Ele e eu nos damos muito bem.” Responde, lacônico, o irmão Jeosafá.

- “Quer dizer então que o irmão não gasta tempo em oração??”

- “Também não. Ao contrário, procuro investir meu tempo em oração.”

Para finalizar, gostaria de lembrar das boas e velhas "Deus vai puxar o teu tapete!" e "Deus vai te colocar no leito", que fazem parte do extenso rol de orações feiticeiras (ou da macumba gospel, se preferir). Além disso, revelam o nobre amor cristão praticado por alguns irmãos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Seja Um Seguidor do SOLA GRATIA Você Também!

Na semana passada coloquei a barra "seguir" no layout do blog e alguns dos nossos leitores já tiveram a bondade de se tornarem seguidores públicos do SOLA GRATIA.
Agora quero aproveitar a oportunidade para solicitar aos nossos demais leitores que cliquem lá no botão "Seguir" que está à direita.
Acho isso interessante para saber como anda a "audiência" do blog, já que nem todo mundo que lê deixa algum comentário.
Aproveito o ensejo também para anunciar que a postagem "Pérolas Pentecostais II" está chegando aí!
Para ver o "Pérolas Pentecostais I" clique aqui. Para ver outras "pérolas" clique aqui e aqui .

sábado, 29 de maio de 2010

Os Pastores Super-Poderosos

Não tenho nada a ver com o vídeo que segue. Tudo é culpa do Jáder. Foi ele quem pediu que eu postasse...

domingo, 18 de abril de 2010

Pérolas Pentecostais

Já contei uma experiência curiosa que vivenciei num culto pentecostal na postagem intitulada "Você quer fogo?". Agora pretendo listar alguns fatos que eu mesmo presenciei a fim de proporcionar alguma reflexão sobre essas coisas que acontecem em nossas igrejas (pentecostais, mais especificamente). Seguem algumas pérolas:

"Irmãos, a democracia é coisa do diabo. O próprio nome já diz: 'demo': diabo; 'cracia': governo. Ou seja, aleluia, democracia significa 'governo do diabo'!"

Como já alertei, ninguém me contou isso: eu mesmo vi e ouvi. E foi numa renomada igreja pentecostal. O pregador falou isso num culto público cheio de visitantes. Acho que qualquer um destes que lá estava e que tem um mínimo de lucidez não voltou mais.

"Amados, eu ia cantar um hino, mas Deus falou pra eu cantar outro."

Presenciei esta há poucos dias. A irmã recebeu uma oportunidade no culto e soltou essa. Eu fiquei imaginando como aconteceu esta experiência sobrenatural. Será que ela ouviu uma voz do céu que disse: "Serva minha, não cante este hino. Cante aquele do Régis Danese que eu gosto muito!"?

"Nesta noite ví muitos irmãos com os olhos abertos durante o louvor. Meus amados irmãos, Deus não opera na visão!"

Um ótimo exemplo de teologia pentecostal. Além do mais, parece que a irmã que soltou esta pérola também estava "impedindo o operar de Deus", já que seria impossível ver que os irmãos estavam com os olhos abertos sem que ela abrisse os seus...

Quem quiser colaborar com a lista de pérolas, fique à vontade.

sábado, 14 de novembro de 2009

Pentecostalismo, glossolalia, etc.


"E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.
(...)
Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos." ( 1Co.14:27, 28 e 33)

Interessante como estes versículos são solenemente ignorados nas igrejas pentecostais.
No texto a seguir, Ricardo Gondim faz comentários muito elucidativos sobre o pentecostalismo e o dom de falar línguas estranhas:

"Há uns quinze anos, fui procurado por um teólogo católico alemão que pesquisava o movimento pentecostal no Brasil. O jovem desejava conhecer melhor o que ele considerava como “o mais democrático fenômeno religioso” já visto. Extasiado com o que testemunhara na baixada fluminense, com novas igrejas brotando todos os dias, queria saber mais.

Realmente, o movimento pentecostal marcou o século 20. No Brasil, a Assembleia de Deus chegou a somar quase a metade de todos os protestantes. A capilaridade do movimento é fenomenal. Eu já preguei em catedrais e em garagens transformadas em templo. Entre 1976 e 1982, como evangelista associado de uma missão, visitei todo tipo de congregações pelo Brasil. Espantei-me com a autonomia dos pentecostais, que nunca ..."

Leia mais aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Você quer fogo?

Em que pese tenha me convertido numa igreja pentecostal e nela congregue até hoje, tenho dificuldades para me adaptar a algumas coisas que costumam nela ocorrer.

O fato que passo a relatar ocorreu há alguns dias, por ocasião do aniversário da igreja.

Logo no início da fala do pastor convidado para ser o preletor oficial da festividade, percebi que a jornada ia ser dura. É que ele tinha a irritante prática de pedir ao auditório para repetir algumas frases durante todo o tempo da pregação.

Pois bem. Numa dessas, ele pediu para olhar para o irmão do lado e perguntar: “você quer fogo?”. Na mesma hora veio-me à mente os vários sentidos que essa frase pode apresentar, principalmente para alguém que não pertence ao contexto pentecostal.

Para minha infelicidade, olhei para o lado e vi um visitante. Então, constrangido, abri um sorriso amarelo e fiz a desconcertante pergunta.

De lá do púlpito o pregador solicitou que erguêssemos as mãos sobre o irmão e repetíssemos: “fogo, fogo, fogo...”.

Aí já foi demais pra mim. Dessa vez não deu para atender ao pedido do pastor.

Para concluir, ele convidou à frente as pessoas que quisessem ter uma nova atitude em sua escola, trabalho, etc. Surpreendentemente, o pregador ungiu essas pessoas com óleo, contrariando a orientação neotestamentária de aplicação desta prática tão-somente em caso de enfermidade.

Saí antes de terminar o culto.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Caloteiros de Jesus


"Uma verdadeira explosão de milagres acontece no momento em que o pastor... pregava a Palavra de Deus... Uma mensagem revelada por Deus em Isaías 52 sacudiu, mexeu, abalou... Não deu para segurar, era impossível controlar. Imaginem que o pastor... não conseguiu fechar o assunto. No meio da pregação desceu uma torrente do céu e a glória de Deus foi manifesta. Várias pessoas deram testemunhos que na semana anterior receberam depósitos em contas bancárias, nomes desapareceram do SERASA e SPC, dívidas desapareceram de lojas e bancos, limites bancários foram cobertos inexplicavelmente, uma irmã ganhou um carro... Abra sua campanha de 07 (sete) quarta-feiras (sic) de milagres e glórias ao Senhor Jesus, e parabéns pelo teu (sic) milagres. Maiores informações entre em contato com a EQUIPE MILGRES (sic) pelos fones: $$-$$$$-$$$$ ou $$$$-$$$$."

Vi lá no Blog do Ciro.