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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Colapso do Movimento Evangélico (texto de Ricardo Gondim)

Dois pastores paulistas se fantasiam de Fred e Barney. Isso mesmo, fantasiados de Flintstone, entre gracejos ridículos, acreditam que estão sendo "usados por Deus para salvar almas". Na rádio, um apóstolo ordena que tragam todos os defuntos daquele dia, pois ele sente que Deus o "ungiu para ressuscitar mortos".

Os jornais denunciam dois políticos de Minas Gerais, "eleitos por suas denominações para representar os interesses dos crentes", como suspeitos de assassinato. O rosário se alonga: oração para abençoar dinheiro de corrupção; prisão nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro, flagrante de missionários por tráfico de armas; conivência de pastores cariocas com chefões da cocaína .

Fica claro para qualquer leigo: O movimento Evangélico brasileiro se esboroa. O processo de falência, agudo, causa vexame. Alguns já nem identificam os evangélicos como protestantes. As pilastras que alicerçaram o protestantismo vêm sendo sistematicamente abaladas pelo segmento conhecido como neopentecostal. Como um trator de esteiras, o neopentecostalismo cresce passa por cima da história, descarta tradições e liturgias e se reinventa dentro das lógicas do mercado. É um novo fenômeno religioso.

É possível, sim, separá-lo como uma nova tendência. Sobram razões para afirmar-se que o neopentecostalismo deixou de ser protestante ou até mesmo evangélico.É uma nova religião. Uma religião simplória na resposta aos problemas nacionais, supersticiosa na prática espiritual, obscurantista na concepção de mundo, imediatista nas promessas irreais e guetoizada em seu diálogo cultural.

Mas a influência do neopentecostalismo já transbordou para o "mainstream" prostestante. O neopentecostalismo fermentou as igrejas consideradas históricas. Elas também se vêem obrigadas a explicar quase dominicalmente se aderiram ou não aos conceito mágicos das preces. Recentemente, uma igreja batista tradicional promoveu uma "Maratona de Oração pela Salvação de Filhos Desviados".

Pentecostais clássicos, como a Assembléia de Deus, estão tão saturados pela teologia neopentecostal que pastores, inadvertidamente, repetem jargões e prometem que a vida de um verdadeiro crente fica protegida dentro de engrenagens de causa-e-efeito. Os "ungidos" afirmam que sabem fazer "fluir as bênçãos de Deus". É comum ouvir de pregadores pentecostais que vão ensinar a "oração que move o braço de Deus”.

O Movimento Evangélico implode. Sua implosão é visceral. Distanciou-se de dois alicerces cristãos básicos, graça e fé. Ao afastar-se destes dois alicerces fundamentais do cristianismo, permitiu que se abrisse essa fenda histórica com a tradição apostólica.

1. A teologia da Graça

Desde a Reforma, protestantes e católicos passaram a trabalhar a Graça como pedra de arranque de um novo cristianismo. O texto bíblico, “o justo viverá da fé”, acendeu o rastilho de pólvora que alterou a cosmovisão herdada da Idade Média. A Graça impulsionou o cristianismo para tempos mais leves. Foi a Graça que acabou com a lógica retributiva que mostrava Deus como um bedel a exigir penitência. Devido a Graça entendeu-se que a sua ira não precisa ser contida. O cristianismo medieval fora infectado por um paganismo pessimista e, por isso, sobravam espertalhões vendendo relíquias e objetos milagrosos que, segundo a pregação, “ garantiam salvação e abriam as janelas da bênção celestial”.

Lutero, um monge agostiniano, portanto católico, percebeu que o amor de Deus não podia ser provocado por rito, prece, pagamento ou penitência. Graça, para Lutero, significava a iniciativa de Deus, constante, unilateral e gratuita, de permanecer simpático com a humanidade. Lutero intuiu que Deus não permanecia de braços cruzados, cenho franzido, à espera de que homens e mulheres o motivassem a amar. O monge escancarou: as indulgências eram um embuste. Assim, Lutero solapava o poder da igreja que se autoproclamava gerente dos favores divinos.

Passados tantos séculos, o movimento neopentecostal, responsável pelas maiores fatias de crescimento entre evangélicos, abandonou a pregação da Graça. (É preciso ressaltar, de passagem, que o conceito da Graça pode até constar em compêndios teológicos, mas não significa quase nada no dia-a-dia dos sujeitos religiosos).

Os neopentecostais retrocederam ao catolicismo medieval. É pre-moderna a religiosidade que estimula valer-se de amuletos “como ponto de contato para a fé”; fazerem-se votos financeiros para “abrir as portras do céu”; “pagar o preço” para alcançar as promessas de Deus. Desse modo, a magia espiritual da Idade Média se disfarçou de piedade. A prática da maioria dos crentes hoje se concentra em aprender a controlar o mundo sobrenatural. Qual o objetivo? Alcançar prosperidade ou resolver problemas existenciais.

2. A compreensão da Fé

“A Piedade Pervertida” (Grapho Editores) de Ricardo Quadros Gouvêa é um trabalho primoroso que explica a influência do fundamentalismo entre evangélicos.

“O louvorzão, assim como as vigílias e as reuniões de oração, e até mesmo o mais simples culto de domingo, muitas vezes não passam de um tipo de superstição que beira a feitiçaria, uma vez que ele é realizado com o intuito de ‘forçar’ uma ação benévola da parte de Deus, como se o culto e o louvor fossem um ‘sacrifício’, como os antigos sacrifícios pagãos. Neste caso, não temos mais liturgias, mas sim teurgias, nas quais procura-se manipular o poder de Deus” (p.28).

Ora, enquanto fé permanecer como uma “alavanca que move os céus”, as liturgias continuarão centradas na capacidade de tornar a oração mais eficaz. Antes dos neopentecostais, o Movimento Evangélico já se distanciara dos Místicos históricos que praticavam a oração com um exercício de contemplação e não como ferramenta de como tornar Deus mais útil.

Fé não é uma força que se projeta na direção do Eterno. Fé não desata os nós que impedem bênçãos. Fé é coragem de enfrentar a vida sem qualquer favor especial. Fé é confiança de que os valores de Cristo são suficientes no enfrentamento das contingências existenciais. Fé aposta no seguimento de Cristo; seguir a Cristo é um projeto de vida fascinante.

O neopentecostalismo ganhou visibilidade midiática, alastrou-se nas camadas populares e se tornou um movimento de massa. Por mais que os evangélicos conservadores não admitam, o neopentecostalismo passou a ser matriz de uma nova maneira de conceber as relações com o Divino.

A alternativa para o rolo compressor do neopentecostalismo só acontecerá quando houver coragem de romper com dogmatismos e com os anseios de resolver os problemas da vida pela magia.

O caminho parece longo, mas uma tênue luz já desponta no horizonte, e isso é animador.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sexta-Feira 13!

Vi hoje na televisão, enquanto relutava para não cochilar após um saboroso almoço, algumas imagens estranhas acompanhadas de dizeres mais ou menos assim:
"Amanhã será sexta-feira 13 de agosto. Dia que os maus espíritos escolhem para entrar em corpos abertos e destruí-los..."
Pensei que começava ali um programa humorístico.
Mas o locutor continuou:
"Veja agora cenas de um filme que mostram o que os encostos fazem quando encontram um corpo aberto na sexta-feira 13..."
A partir daí começaram a ser exibidas algumas cenas de um filme de terror. Mas a palavra "encostos" chamou a minha atenção. Então sussurrei: "Não pode ser o que estou pensando..."
Mas era.
Na sequência, apareceu um pastor falando com voz empostada:
"Meu amigo e minha amiga, venha receber amanhã na Igreja Universal do Reino de Deus um banho do descarrego para ficar livre dos encostos nesta sexta-feira 13."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pérolas Pentecostais 2

Crente pentecostal tem cada uma...

Outro dia ouvi uma missionária, daquelas chamadas “canela-de-fogo” (só quem já foi a uma igreja pentecostal entende essa expressão...), dizer o seguinte impropério: “Deus não dá nada de graça a ninguém!”.

Quis ela dizer que Deus só dá algo mediante uma contraprestação imediata. Ou seja: toma lá, dá cá. Para ela, as bênçãos que os crentes recebem dependem absolutamente de seu esforço próprio. Tal assertiva ignora que a Bíblia diz que a maior das bênçãos, a salvação, é de graça (Efésios 2:8).

Algumas pérolas, como essa, resultam de uma assustadora ignorância bíblica, outras nascem em nosso meio e começam a ser repetidas irrefletidamente como verdadeiros dogmas.

Assim, é possível imaginar o seguinte diálogo quase fictício (o “quase” deve-se ao fato de que eu participei de uma conversa muito parecida com essa):

- “Irmão, Deus te incomoda para orar nas madrugadas?” Pergunta a irmã Joquebede.

- “Não... Deus não costuma me incomodar. Ele e eu nos damos muito bem.” Responde, lacônico, o irmão Jeosafá.

- “Quer dizer então que o irmão não gasta tempo em oração??”

- “Também não. Ao contrário, procuro investir meu tempo em oração.”

Para finalizar, gostaria de lembrar das boas e velhas "Deus vai puxar o teu tapete!" e "Deus vai te colocar no leito", que fazem parte do extenso rol de orações feiticeiras (ou da macumba gospel, se preferir). Além disso, revelam o nobre amor cristão praticado por alguns irmãos.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pastora Alda Célia e Bispa da Sara Nossa Terra lançam o Aroma Gospel, a unção em spray


By Renato Cavallera

Segundo o site da Igreja Sara Nossa Terra, “o Aroma Gospel é uma empresa que nasceu com um sonho de ter produtos de ótima qualidade e excelência para atender ao público evangélico”. A empresa já está no ramo a alguns anos, e hoje tem a frente como sócia e garota propaganda a cantora e Pastora Alda Célia, artista contratada pela gravadora MK Music.

Em entrevista com Bispa Ana Almeida, da Igreja Sara Nossa Terra do Rio de Janeiro, descreveu como surgiu a idéia que teve com as sócias pastora Alda Célia e Neuzi Pantera, para lançar este óleo, segundo elas “abençoado”, e também explicam que uma das primeiras providências da nova empresa foi criar um aroma em spray para perfumar todas as igrejas Sara Nossa Terra do Brasil e do exterior a partir de 2008.


Como surgiu a idéia do Aroma Gospel?

Quando a pastora Alda Célia voltou de Israel o que mais me impressionou foi que estávamos buscando um óleo que tivesse boa qualidade, um ótimo aroma e que acreditamos que representasse a unção. Ela trouxe um óleo de ótima qualidade e tivemos todo o cuidado nos detalhes, como por exemplo em fazer uma embalagem bonita e prática através do spray. É uma coisa prática para que a pessoa ficasse com aquele aroma lembrando da unção.

Porque entrar no mercado de produtos evangélicos?

Porque não consumir produtos que saibamos da procedência debaixo de todos os conceitos bíblicos? E também a empresa nasce onde colocamos Deus como nosso sócio, ou seja, 10% da empresa pertence a Ele. Nosso sonho é ser uma empresa modelo e as pessoas verão que é possível ter um negócio cumprindo todas as leis e ser abençoado.

Como é a Aroma Sara Nossa Terra?

Nossa primeira providência foi trabalhar em cima do aroma que perfume as igrejas. Já que a Sara Nossa Terra estava com este projeto de padronizar o visual, resolvemos trabalhar em cima de um spray que pudesse ser colocado no ambiente. Como todos gostaram do cheiro da mirra, pois é forte e ao mesmo tempo suave, pensamos em tornar o cheiro da mirra a nossa essência. Para que todos que entrarem na Sara Nossa Terra sentissem o cheiro da unção.

Porque o ramo de perfumes, essências e sprays?

Quando montamos a empresa estávamos pensando em que produzir, pois a Alda tem uma abrangência muito grande no Brasil. Queríamos divulgar um produto que não deixasse de trazer um conceito de adoração. Inaugurar a empresa com este óleo teve um significado muito grande para nós. Pois estavamos em busca desta unção de adoração e as pessoas irão poder ficar com aquele cheirinho gostoso.

A idéia é levar a Aroma Gospel para todo o Brasil?

A idéia é disponibilizar o óleo em todo o Brasil através do mercado cristão, em site de produtos gospel e também na Sara Brasil. Nossa idéia, em primeiro lugar, foi atender ao ministério Sara Nossa Terra e depois partirmos para todo mercado evangélico do Brasil e com isso reunirmos representantes de diversos pontos do País.

Alda Celia e a Aroma Gospel

Em 2009 a cantora, pastora e ministra de louvar Alda Célia chegou a falar sobre o Aroma Gospel: “Quero testemunhar uma bênção: neste ano Deus permitiu que ao lado da Bispa Ana de Brito e de Neuzi Pantera lançássemos o óleo ‘Aroma Gospel’ que já é vendido em todo Brasil. Deus está nos dando novas estratégias e agora também lançamos o óleo da alegria.”

O Aroma Gospel também conta com óleo repelente em sua linha de produtos. Segundo blogs e sites do gênero o oléo ungido em spray custa em base R$10.

Extraído de: irmaos.com

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre milagres

Ao assistir a algumas cenas do programa televisivo do "apóstolo" Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (que veio se somar à Universal do Reino de Deus e à Internacional da Graça de Deus, cuja semelhança entre os nomes não é mera coincidência), fiquei pensando sobre o papel dos milagres no Novo Testamento.
Lembrei que Jesus realizava milagres por causa da sua misericórdia diante do sofrimento humano, e não como uma forma de atrair seguidores. É por isso que muitas vezes o Mestre recomendou que o agraciado com o milagre não contasse nada a ninguém.
Aliás, Jesus não ficava satisfeito quando percebia as pessoas o seguiam tão-somente por causa dos prodígios.
Por fim, a experiência indica que pessoas que são atraídas a Jesus por causa de motivos que não o próprio Jesus tendem a ter uma fé superficial.