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domingo, 17 de outubro de 2010

Algumas Considerações Sobre o Segundo Turno


Fui provocado a escrever esta postagem depois da leitura do texto "Carta Aos Meus Amigos", do pastor Ageu Magalhães, autor do blog Resistência Protestante.
Nunca vi uma eleição que mexesse tanto com os crentes. Na internet e na televisão alguns pastores trocam farpas na defesa de seus candidatos. Na igreja também não é diferente.
O que me chama a atenção é que, de uma hora para outra, as questões morais passaram a ocupar o centro do debate político.
Quero dizer, inicialmente, que não parece ser muito consistente a discussão sobre qual dos candidatos à Presidência apresenta mais afinidade com a opinião que temos sobre as questões morais que têm sido mais destacadas no debate.
É que os dois são simplesmente iguaizinhos neste ponto. O que ambos tem dito sobre aborto, direitos homossexuais, sexo livre, etc, são apenas discurso para acariciar o eleitorado evangélico e católico. O que eles querem é nosso voto, só isso. Eles não têm compromisso com o evangelho.
O que tenho visto, porém, inclusive no texto do pastor Ageu, é que parece que apenas a candidata do PT tem opiniões contrárias à Escritura, e isso não é verdade.
Por exemplo, apesar de hoje dizer que é contra a legalização do aborto, quando Ministro da Saúde, o candidato do PSDB assinou diversas medidas regulando a realização de abortos. Também fez apologia ao sexo livre, ao popularizar o "Braúlio". Por fim, seu vice integra a frente GLBT do Congresso.
Assim, se formos seguir à risca este critério, o nosso voto deverá ser necessariamente branco. Por essa razão, optei por utilizar outra linha de raciocínio: ao invés de reduzir a análise ao campo moral, comparo as propostas apresentadas pelos aspirantes à Presidência. E, partindo deste último critério, a candidata do PT parece ser a menos pior.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pode um cristão ser de esquerda?

Dizem que Churchill falou que quem não foi comunista até os vinte anos, não tem coração, e quem continua sendo depois dos quarenta, não tem cérebro. Acho que foi por isso que durante o Ensino Médio encantei-me com a ideologia marxista. Porém, o “encantamento” não durou muito: o conhecimento do fracasso da tentativa de implantar o regime comunista, e mais, as atrocidades dele decorrentes pôs meus pés no chão.

Durante a graduação conheci alguns colegas conservadores*. Todos tinham em comum uma excelente capacidade argumentativa e defendiam severamente os EUA. Eram contra as ações afirmativas e todas as formas de proteção das minorias, políticas assistenciais, movimentos sociais, expansão dos direitos sociais, etc.

Percebi que, embora dentro cada grupo houvesse certa diversidade, a forma de pensar dos socialistas e dos liberais era mais ou menos “amarrada”. Ou seja, quem era de esquerda devia defender os regimes cubano e venezuelano, o aborto, a causa gay, as cotas sociais e raciais, as políticas assistenciais, etc. Quem se identificava com a direita tinha que necessariamente abraçar os pontos que indiquei no segundo parágrafo deste texto.

Não consegui entrar em nenhum dos grupos, pois concordava com alguns pontos de ambos. Por exemplo, sou a favor das cotas sociais e sou contra o aborto, ideias que não costumam ser encontradas juntas num liberal ou num socialista. Contudo, não acho que as duas opiniões sejam contraditórias. Mas, quem foi que disse que tenho que ser socialista ou liberal?

Durante esta semana fui chamado mais uma vez a refletir sobre o tema por duas razões. A primeira, o excelente texto de Norma Braga publicado na Revista Ultimato e no seu Blog, intitulado “Por que não sou de esquerda”. A segunda foi a realização aqui na minha cidade do I Fórum de Missão Integral, do qual participei.

Entendo que a preocupação com a questão social está além do desgastado debate entre direita e esquerda. Mais que isso, o engajamento do cristão decorre do mandamento nuclear do evangelho que é o amor ao próximo.

Não quero ser nem de esquerda nem de direita.

Rejeito rótulos. Recuso-me a pensar dentro de um esquema fechado. Mas, se pensar da forma que eu penso significa ser de esquerda, tudo bem, não me importo.


* Substituí a palavra "liberais" por "conservadores", porque esta é mais específica e aquela pode provocar ambiguidade no contexto em que a inseri.