sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Um estranho à mesa do jantar

É um excelente livro. Conta a estória de um cético que recebeu um inusitado convite de ninguém menos que Jesus para jantar. Mesmo pensando que se tratava de uma peça pregada por seus colegas de trabalho, Nick Cominsky resolve ir. Aos poucos, Nick vai se acostumando com a situação e passa a fazer ao Mestre algumas perguntas bastante interessantes.
Provavelmente você sentirá o autor “forçando a barra” em alguns instantes, sobretudo na criação do ambiente do jantar e em alguns pontos do diálogo. Mas a verdade é que a conversa entre os dois ficou muito interessante. São discutidos muitos assuntos, desde os mais básicos da fé cristã até temas um pouco mais complexos. Destaque para a forma com que o autor narra a passagem de Nick Cominsky do ceticismo para a fé.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Você é evangélico? Não parece...

Para alguns crentes, ouvir uma coisa como essa pode provocar uma intensa crise existencial. Afinal, o fato de ser cristão traz a grande responsabilidade de testemunhar o evangelho de Jesus, portanto, não basta ser, tem que parecer cristão.
Mas hoje não sei se ficaria decepcionado ou contente se alguém me dissesse que não pareço evangélico. É que hoje nossa igreja é associada a muitas coisas ruins. Há algum tempo, o estereótipo do crente era apenas daquele sujeito ignorante e radical em seus usos e costumes. Hoje, a imagem do evangélico é muitas vezes associada àqueles pastores pedindo dinheiro na televisão. Há também aquela quantidade imensa de crentes cujas vidas não correspondem nem um pouco à mensagem cristã.
Jesus disse que seríamos conhecidos como seus discípulos pelo amor. Era essa a imagem que gostaria que a igreja evangélica tivesse: de um povo que ama, perdoa e ajuda o próximo. Gostaria que as pessoas reconhecessem que sou evangélico quando pratico um ato altruísta, e não quando recuso bebida alcoólica, deixo de ir a alguma festa ou pela música que ouço.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A Jornada

Fico feliz quando termino de assistir a um filme e concluo que aquele tempo não foi desperdiçado, mesmo quando o filme não tenha sido dos melhores que eu tenha assistido. Foi o que aconteceu com “A Jornada” (Time Changer).

A história se passa, inicialmente, em 1890, quando o professor do Seminário Bíblico da Graça, Russell Carlisle, resolve publicar um livro. No entanto, para que a publicação se efetivasse, o autor necessitava do endosso unânime dos seus colegas professores. Uma afirmação contida no livro provocou a discordância de Norris Anderson, que se opôs à publicação da obra. Segundo o professor Russel Carlisle, devia-se difundir a maravilhosa moral cristã ao mundo, ainda que dissociada do nome de Cristo.

A história utiliza-se, a partir daí, de um velho clichê: uma viagem no tempo. Confesso que quando se falou em viagem no tempo quase desisti de gostar do filme. Mas, apesar desse ponto tão fantasioso no meio de um filme que não parecia ser de ficção científica, a mensagem acabou sendo perfeitamente transmitida. Ao viajar no tempo e conhecer como seria o mundo cem anos depois, Russell Carlisle convenceu-se da impropriedade de sua tese.

Vou ficar por aqui para não tirar a graça de alguém que não tenha assistido e ainda o queira fazer, mas, enquanto assistia, lembrava o tempo todo da reprovável prática direita cristã norte-americana, que tenta o tempo todo impor os padrões de conduta cristã a pessoas que não tem qualquer vínculo com a igreja.

sábado, 19 de julho de 2008

Desiderata

Vá calmamente, entre o barulho e a pressa, e lembre-se da paz que somente existe no silêncio.

Na medida do possível, e sem se atraiçoar, tenha boas relações com todas as pessoas.

Diga a sua verdade quieta e claramente. Ouça os outros, mesmo os obtusos e ignorantes. Eles também tem uma estória a contar.

Evite as pessoas ruidosas e agressivas. Elas são tormentos para o espírito.

Se você se comparar aos outros você se tornará ora vaidoso, ora amargo, pois há sempre pessoas que lhe são inferiores ou superiores.

Goze tanto as suas realizações quanto os seus sonhos. Mantenha-se interessado naquilo que você faz, por humilde que seja. Aquilo que você faz é algo que você realmente possui, num tempo em que tudo muda sem parar.

Pratique a prudência nos seus assuntos comerciais, pois o mundo está cheio de trapaças. Mas não deixe que isto o faça cego para as virtudes que existem. Muitas pessoas se esforçam por ideais altos. Por toda parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Não finja afeição. E nem seja cínico acerca do amor. A despeito da aridez e do desencanto, ele renasce tão teimosamente quanto a tiririca.

Aceite com elegância o conselho dos anos, deixando graciosamente para trás os prazeres da juventude. Crie força de espírito para proteger-se na desgraça repentina. Não se aflija, porém, com coisas imaginadas. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.

Tenha uma disciplina saudável, mas seja gentil para consigo mesmo. Você é um filho do universo, tanto quanto as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer você saiba disto ou não, o fato é que o universo caminha como deve. Por isto, esteja em paz com Deus, não importa como você pensa que ele é.

A despeito da barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma.

Com todos os seus enganos, labutas e sonhos não realizados, este continua a ser um belo mundo. Cuide-se. Esforce-se por ser feliz...

Rubem Alves

quinta-feira, 17 de julho de 2008

É proibido pensar



Já há um tempo que este vídeo fez sucesso na internet, mas com certeza tem muita gente que ainda não o viu. Deixo aqui apenas duas observações: 1º) o vídeo não foi feito por João Alexandre, portanto, é possível algumas imagens não correspondam à idéia do compositor. Também não concordo com todas as figuras que são associadas à letra da música; 2º) é muito interessante como João Alexandre conseguiu, nesta canção, apontar várias mazelas e atuais tendências perigosas da igreja evangélica brasileira.


segunda-feira, 14 de julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Matéria do A Tarde On Line sobre o fenômeno do "acarajé evangélico"

"Originado nos cultos de candomblé, onde servia como uma oferenda a Iansã, rainha dos raios e dos ventos, o acarajé tem mais de 300 anos de existência. Ao longo desse período, uma série de mudanças ocorreu: a receita já não leva apenas o tradicional bolinho de feijão; a vestimenta branca, a saia rodada e a bata que caracterizam a vestimenta da baiana foram substituídas por outras roupas; e a preparação do quitute – até então restrita às mulheres – passou também a ser feita por homens.

Além disso, o acarajé deixou de ser encontrado somente no tabuleiro da baiana e, hoje, pode ser comprado em delicatessens e restaurantes. Outra transformação, esta mais recente, é a venda da iguaria por pessoas de outras religiões, além do candomblé. Os evangélicos, por exemplo, chamam a iguaria de “bolinho de Jesus”, e alguns deles se recusam a vestir o traje de baiana. Essas mudanças fazem com que o acarajé perca a identidade?

O assunto é polêmico e divide opiniões, mas, para a antropóloga Gerlaine Martini, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), sim. O assunto fez parte da sua tese de doutorado defendida em julho de 2007. Intitulado Baianas do Acarajé – A uniformização do típico em uma tradição culinária afro-brasileira, a autora analisou as transformações sofridas por suas formas tradicionais de venda a partir do século XX.

Além da busca pela natureza e a importância da atividade da venda de acarajé em Salvador, o trabalho tem como cerne o surgimento do chamado “acarajé de Jesus”, prática bastante recente da venda de acarajé por baianas convertidas ao protestantismo, principalmente o neopentecostal, que almejava se desvincular totalmente da tradição. (...)"

Leia mais aqui.

Agora, vejam só. Os intelectuais, aqueles que, em tese, deveriam ser mais progressistas, são os mais conservadores. Não conseguem tolerar mudanças nas tradições, como se estas mesmas não tivessem sofrido outros tipos de alterações desde a sua origem.